Apesar da enorme variedade de filmes, séries e jogos disponíveis no entretenimento de bordo, o mapa interativo continua sendo o conteúdo mais acessado pelos passageiros durante o voo. Reconhecendo o sucesso dessa funcionalidade, uma companhia aérea norte-americana acaba de dar um passo importante: tornar o mapa de voo acessível para passageiros com deficiência visual.
O mapa que todo mundo olha
Quem já voou sabe do que estou falando. Você está sentado, o avião acabou de decolar, e a primeira coisa que você abre no ecrã é o mapa. Onde estamos? A que altitude? Quanto tempo ainda falta? É quase um ritual. Eu mesma, depois de anos voando, ainda acho esse recurso fascinante.
O que muita gente não percebe é que esse conteúdo, o mais popular de toda a programação de bordo, era completamente inacessível para passageiros com deficiência visual. Até agora.
A iniciativa
A companhia aérea anunciou uma atualização no seu sistema de entretenimento de bordo que permite que o mapa interativo seja descrito em áudio. O sistema lê em voz alta a posição do avião, altitude, velocidade e tempo restante de voo, oferecendo a mesma experiência de orientação que os demais passageiros já têm visualmente.
Para quem trabalha nesse setor, essa notícia tem um significado especial. Convivemos diariamente com a diversidade de passageiros que embarcam nos nossos voos. Deficiências visuais, auditivas, mobilidade reduzida — a cabine de um avião é um microcosmo do mundo lá fora. E faz tempo que percebo que a aviação ainda tem muito a avançar em termos de acessibilidade.
Pequenos detalhes que fazem diferença
Quem nunca viu um passageiro com deficiência visual embarcar e não conseguir acessar o menu de entretenimento por conta própria? Ou alguém com baixa visão tentar aumentar a fonte do ecrã e descobrir que não há essa opção?
São detalhes que para a maioria passam despercebidos, mas que para essas pessoas representam mais um momento de exclusão num ambiente que deveria ser acolhedor para todos.
Por que isso importa
A inclusão no transporte aéreo vai muito além de assentos com espaço extra ou assistência para embarque. Trata-se de garantir que a experiência completa de voar seja digna e independente para todos os passageiros, independente das suas condições físicas.
Torcer para que outras companhias sigam esse exemplo. São iniciativas como essa que mostram que a aviação pode ser, ao mesmo tempo, eficiente e humana.