Como um avião consegue voar?

A comissária responde

Como um avião consegue voar?

Um Boeing 747 pode pesar quase meia tonelada ao decolar e o voo só é possível graças ao princípio do sustento aerodinâmico gerado pela forma das asas do avião. Física nunca foi a minha praia, mas eu vou compartilhar aqui uma explicação que até eu consigo entender.

O cientista italiano Daniel Bernoulli formulou o famoso princípio que descreve a relação entre velocidade, pressão e energia de fluidos em movimento.

Imagine que o ar é como a água num rio e onde o rio afunila a água corre mais rápido.

Com o ar acontece o mesmo e é por isso que a asa do avião tem um formato assimétrico: a parte de cima é mais curva e a de baixo é mais reta.

Isso faz com que o ar que passa pela parte de cima da asa acelere.

Essa diferença de pressão empurra a asa para cima e isso é o que chamamos de sustentação (lift), porém, para que ela comece a acontecer é preciso velocidade.

Apenas quando a velocidade é suficiente (geralmente entre 260 e 290 quilômetros por hora) a sustentação gerada pelas asas supera o peso do avião e é aí que o voo começa.

Durante testes de certificação, engenheiros flexionam propositalmente as pontas das asas em até 90 graus. Essa flexibilidade das asas é intencional e funciona como uma espécie de amortecedor.

Além disso, quanto mais longa a asa, mais ela se move e mais eficiente ela é nessa função. As asas do Boeing 787, por exemplo, chegam a fletir cerca de 7 metros para cima em condições de turbulência moderada.

Os flaps (superfícies nas asas que se estendem durante a decolagem e o pouso) são fundamentais porque eles aumentam a área da asa e, com isso, geram mais sustentação em velocidades mais baixas. Por isso, durante o cruzeiro eles são recolhidos para reduzir a resistência ao ar.

Em cruzeiro, os motores geram empuxo para frente, o que mantém a velocidade e a velocidade garante a sustentação e equilibra o peso.

Esse esquema funciona tão bem que mesmo se todos os motores falhassem o avião perderia velocidade gradualmente — mas ainda assim poderia planar por dezenas de minutos antes de precisar pousar.

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