Aplicativos que vão salvar sua viagem

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Aplicativos que vão salvar sua viagem

Quando a gente viaja para outro país, é natural se preparar para uma moeda diferente, um fuso novo, costumes locais e alguns tropeços com o idioma. O que muita gente esquece é que o celular também precisa de adaptação. Você sabia que, por exemplo, Uber e iFood simplesmente não existem em alguns (muitos) lugares fora do Brasil?

Trabalhando em voos internacionais há mais dez anos, vejo a mesma cena com frequência no desembarque: passageiros parados na fila do táxi tentando abrir o Uber e não entendendo por que o aplicativo mostra “nenhum motorista disponível”, quando do lado de fora existe uma fila de carros respondendo ao aplicativo certo da cidade. A diferença entre uma chegada tranquila e três horas de estresse muitas vezes está nesses poucos megabytes que você poderia ter baixado em casa.

Vale baixar e testar tudo ANTES de embarcar, incluindo configurar forma de pagamento, idioma e permissões de localização.

Uber & co

Na América do Norte, o Uber resolve a vida em quase qualquer cidade. Na Europa, já não funciona tão bem. O Bolt opera em 30 países europeus e costuma ser a opção mais rápida e mais barata, sendo também amplamente usado em vários países africanos. O Freenow, comprado pela Lyft no ano passado, cobre 150 cidades em nove países europeus e funciona bem onde o Bolt ainda não chegou com força. Na Espanha, o Cabify, fundado em Madri, é uma escolha popular e tem presença forte também na América do Sul, inclusive em algumas cidades brasileiras.

No Japão, onde os aplicativos de transporte enfrentam restrições regulatórias bem específicas, o Uber até existe, mas para chamar táxi de forma confiável o que se usa é o Go, que detém cerca de 80% do mercado de despacho de táxis no país.

Quem voa para o sudeste asiático precisa conhecer o Grab antes de pisar lá. Ele faz tudo: chama carro, moto, scooter, entrega comida, paga conta, vira até carteira digital. Em destinos como Bali, Bangkok e Singapura é praticamente impossível se virar sem ele. Outros nomes que aparecem com frequência são o DiDi na China e o Careem no Oriente Médio.

Para descobrir onde comer

Google Maps e TripAdvisor cumprem o básico, mas em vários destinos os melhores lugares simplesmente não aparecem bem rankeados neles, ou aparecem com avaliações puxadas para cima por turistas que comeram qualquer coisa achando que era típica. Os locais usam outras ferramentas.

No Japão, quem manda é o Tabélog. Saiu finalmente uma versão em inglês do aplicativo no ano passado, o que facilita demais a vida do estrangeiro. Detalhe importante para não estranhar as notas: os japoneses são duros nas avaliações, então qualquer restaurante com nota acima de 3,5 já é considerado excelente, e cinco estrelas é raríssimo, basicamente reservado para experiências excepcionais.

Na Europa, o TheFork domina reservas e avaliações, com presença crescente na Austrália, Nova Zelândia e em algumas capitais sul-americanas. Para a China, o WeChat resolve tudo: mensagem, reserva, pedido, pagamento, entrega. Sem ele, qualquer viagem mais longa pelo país vira um desafio enorme. Outros nomes regionais que vale conhecer: CatchTable na Coreia do Sul e Zomato na Índia.

E uma dica que economiza dor de cabeça em vários países (Itália, Grécia, Portugal, Espanha, Marrocos): você costuma conseguir reservar mandando mensagem no WhatsApp ou no Instagram do próprio restaurante, que é como os locais fazem. Ligar com o número brasileiro em roaming raramente funciona, então prefira a mensagem.

Para se localizar

O Google Maps é decente para se virar em quase qualquer lugar, mas para algumas tarefas específicas vale ter um aplicativo de apoio.

O Citymapper é o queridinho de quem usa transporte público na Europa. Ele consolida ônibus, metrô, trem, bicicleta e caminhada numa interface só, com atualizações em tempo real sobre atrasos, mudanças de plataforma e greves (que, sinceramente, em algumas cidades europeias são parte da rotina). Em Londres, Paris e Berlim faz uma diferença enorme.

Para o Japão, o Japan Travel da Navitime ajuda a navegar a rede ferroviária absurdamente complexa do país, mostrando inclusive em qual plataforma você precisa estar e quanto custa cada baldeação. Na China, o AMap Global oferece suporte em inglês e cobre até locais internos como shoppings e estações de trem grandes, além de fazer reserva de hotel, chamar carro e mostrar restaurante.

O Moovit, que cobre transporte público em mais de 112 países, ganha pontos pela cobertura em cidades menores e em países onde os outros aplicativos não funcionam direito, e tem ainda recursos de acessibilidade para usuários cegos ou com baixa visão, além de filtros para rotas acessíveis a cadeirantes.

Antes de embarcar

Baixe tudo no Wi-Fi de casa, faça login, cadastre o cartão, ative a permissão de localização. Verifique se o aplicativo aceita seu cartão internacional, porque alguns só funcionam com cartões emitidos no próprio país (problema clássico especialmente no Japão e na China). E confira se seu plano de celular cobre o destino ou se você vai precisar de um eSIM, porque não adianta nada ter todos os aplicativos prontos se na hora em que você precisa deles você não tiver acesso à internet.

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