Trabalho em voos internacionais há dez anos e já vi esta cena milhares de vezes: uma família entra na aeronave com carrinho desmontado debaixo do braço, bolsa de bebê pendurada no ombro, mochila nas costas, sacola da loja do duty free, dois trolleys de mão, criança chorando… Os pais tentam acomodar tudo no bagageiro, descobrem que não cabe, pedem ajuda, encontram um lugar três fileiras adiante e, quando finalmente se sentam em suas poltronas, já estão exaustos antes mesmo de o avião decolar.
A questão é que o problema é cumulativo: cada item parece pequeno e indispensável sozinho, mas a soma vira uma logística impossível. Eu não sou mãe e nunca viajei com crianças, mas costumo conversar com meus passageiros (e observá-los com atenção) e aqui reúno algumas dicas que aprendi com pais e mães experts em viagens de avião com crianças pequenas.
Basicamente tudo o que você está pensando em levar existe no destino, então a não ser que a viagem seja para uma cabana isolada em uma floresta na Sibéria, foque no que você precisa DURANTE o voo e no trajeto entre a hospedagem e o aeroporto.
Muitos hoteis costumam oferecer berços dobráveis, cadeirinhas para alimentação, banheirinhas de bebê… Vale ligar ou escrever uma mensagem perguntando sobre a disponibilidade e depois confirmar se a reserva do item está garantida na chegada, porque “sim, temos no hotel” não significa automaticamente que outro hóspede não estará usando exatamente quando você precisaria.
Para aluguel de equipamentos maiores, alguns pais viajantes me recomendaram empresas como BabyQuip e Babonbo, que operam em várias cidades no mundo e entregam berço, carrinho, cadeirinha de carro direto na hospedagem. Aliás, algumas locadoras de carro também oferecem cadeirinha como adicional pago (e nesses casos é melhor reservar com antecedência porque o estoque costuma ser limitado).
Fralda, lenço umedecido, fórmula infantil, papinha pronta: tudo isso você compra no destino, em qualquer farmácia ou supermercado. Pode ser que a marca preferida do seu bebê não exista lá fora, mas você certamente encontrará algo equivalente.
Na maioria das companhias você pode despachar carrinhos de bebê de graça e em geral pode levá-los até o portão de embarque, onde a equipe de solo vai guardá-los no porão. Existem alguns modelos compactos como o UPPAbaby Minu e o Joolz Aer que cabem no bagageiro de mão de aviões maiores e isso pode mudar completamente a logística da conexão, principalmente em aeroportos grandes como Frankfurt, Charles de Gaulle e Heathrow (onde a distância entre portões pode ser absurda). Leve isso em consideração.
Slings ou cangurus ergonômicos liberam suas mãos para tudo do check-in até o desembarque e podem ser uma mão na roda em momentos como o desembarque e a fila da imigração.
A bolsa de bebê que você leva a bordo precisa carregar o que você usa durante o voo e mais um pouco, calculado para o cenário de a mala despachada não chegar com você e eu garanto que você não quer passar por isso sem ter fraldas extra. Leve fralda para o tempo total da viagem mais cinco ou seis, lenço umedecido, trocador portátil, uma muda de roupa para a criança em saco plástico com zíper, e uma muda para você também — você não imagina quantas mães eu já vi desembarcarem vestindo um pijama que a tripulação organizou como cortesia em casos de “acidente”.
Companhias brasileiras como LATAM, GOL e Azul permitem uma bagagem de mão adicional para bebê de colo, mas as regras variam por tarifa e por rota, então confirme antes. Em voos internacionais longos vale reservar o berço de bordo (bassinet) com bastante antecedência (não adianta pedir no check-in ou na portado avião) geralmente disponível para bebês de até dez quilos, mas lembre-se: a quantidade é limitada e a procura é alta.
Sobre entretenimento, menos é mais: um livro com várias histórias e alguns poucos brinquedos pequenos deve ser o suficiente. Livro de colorir e joguinhos são muitas vezes fornecidos pela cia aérea, especialmente em voos longos. Quer apostar no tablet? Ótimo! Mas POR FAVOR não se esqueça dos fones de ouvido. Eu garanto que ninguém no avião (além do seu filho) quer passar horas ouvindo as músicas da galinha pintadinha. E vale lembrar que bateria do tablet pode acabar, então tenha um plano B analógico.
Não existe fórmula universal e a primeira viagem de avião com filho pequeno provavelmente vai te ensinar muito mais que qualquer artigo, então procure se informar o máximo possível com as companhias aéreas e aeroportos sobre suas necessidades específicas e saiba que provavelmente as coisas não vão correr como o esperado, mas esteja aberta a aprender com a experiência, tente manter a calma e saiba que a tripulação fará o possível para te ajudar dentro de suas possibilidades.
Dica extra: o que mais ajuda a aliviar a pressão nos ouvidos durante decolagem e pouso: mamar no peito ou na mamadeira e mascar bala ou chiclete.